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Se você decidiu desenterrar suas pedras, se você está pronta para olhar para o ouro escondido na sua história, preciso te contar algo que ninguém te prepara para enfrentar. Existe um momento na jornada de transformação que chamo de "Noite Escura da Alma."


É quando você já começou a desenterrar suas pedras, já começou a honrar sua história, já começou a acreditar que é possível mudar ? e de repente, tudo desaba. Você sente fraqueza. Seu corpo colapsa. Aquele episódio de 24 de janeiro, quando eu simplesmente não consegui me mover, não era doença. Era liberação somática. Era meu corpo finalmente dizendo: "Chega. Precisamos processar tudo isso que você guardou por décadas."

E aqui está o suspense que muda tudo: você não pode curar o que você não sente.


Eu descobri que minhas feridas centrais ? o abandono afetivo que senti na infância, a renúncia de quem eu era para caber em expectativas, a inferioridade que me assombrava, a anestesia dos sentidos para não sentir a dor ? não eram apenas psicológicas. Elas estavam armazenadas no meu corpo. Cada rejeição que eu fingi não sentir? Estava lá, congelada em meus músculos. Cada momento que eu escolhi não chorar? Estava lá, preso em meu peito. Cada vez que eu neguei minha sensibilidade? Estava lá, dormindo em meu sistema nervoso. E o corpo não descansa até que a alma seja ouvida.


Então vem a Noite Escura. Vem o colapso. Vem o momento em que você finalmente não consegue mais fingir. E é nesse momento ? exatamente nesse momento ? que a maturidade espiritual nasce. Porque maturidade espiritual não é estar sempre bem. Não é ter todas as respostas. Não é ser perfeita. Maturidade espiritual é aprender que você não precisa entender tudo para confiar em tudo.


Foi ali, na minha própria Noite Escura, que entendi o que Brené Brown tanto nos ensina: a vulnerabilidade não é fraqueza, é a medida mais precisa da nossa coragem. É a coragem de sentir o que precisa ser sentido, de desmoronar para se reconstruir de forma mais autêntica. É a coragem de permitir a contração para que a expansão possa acontecer, num ciclo de crescimento que chamo de espiral ascendente.


Aprendi que posso honrar minha dor sem me tornar prisioneira dela. Que posso lembrar sem reviver. Que há um tempo divino para cada movimento da alma ? um tempo para espalhar (quando você ainda não tem maturidade para lidar), um tempo para rasgar (quando você precisa limpar as feridas), e um tempo para juntar (quando você está pronta para ver com os olhos de Cristo).


Mas aqui vem a pergunta que vai fazer você se mexer:

Qual é o seu tempo agora?


Porque se você está aqui, lendo isso, com 35, 40, 50, 60 anos ? se você sentiu aquele aperto no peito quando leu sobre as pedras espalhadas ? você já sabe qual é seu tempo. Você já sabe que chegou a hora de rasgar as máscaras. De rasgar as mentiras que contou para si mesma. De rasgar a imagem perfeita que construiu para impressionar o mundo.


Vai doer. Vai ser como abrir feridas que você achava que tinham cicatrizado. Mas Jesus estará lá, segurando sua mão, sussurrando: "Filha, é preciso limpar a ferida antes de curá-la definitivamente." E então ? e isso é o que ninguém te diz ? chega o tempo mais lindo: o tempo de remendar. Mas não com qualquer linha. Com a linha dourada do amor de Cristo.


É quando você começa a ver que minha infância solitária não foi desperdício ? foi aprendizado em empatia profunda. Que minha adolescência tímida não foi fracasso ? foi sensibilidade para enxergar os invisíveis. Que meus primeiros anos de casamento difíceis não foram punição ? foram lição de perseverança. Cada cicatriz vira estrela. E aqui está o que muda tudo: quando você tem coragem de fazer isso ? quando você permite que Cristo reescreva sua história ? você não apenas se cura. Você se torna instrumento de cura. Você não apenas se liberta. Você liberta outras mulheres. Você não apenas junta suas próprias pedras. Você ensina outras mulheres a juntarem as delas.


Eu não sou exceção. Eu sou espelho. Espelho do que acontece quando uma mulher coopera com o Divino e sua identidade não apenas se reconstrói ? ela se revela. Minha filha Bianca me vê não como uma mulher que tem todas as respostas. Vê uma mulher que tem coragem de fazer perguntas. Meu casamento com Fabiano não é perfeito ? é real, vulnerável, profundo. Meus relacionamentos não são transacionais ? são transformacionais.


Porque quando você para de viver pela metade e começa a viver na plenitude do seu amor ? você se torna farol. E o mundo está pronto para receber a mulher que você nasceu para ser. Mas isso só acontece se você tiver a ousadia de atravessar a Noite Escura. Se você tiver a coragem de deixar seu corpo colapsar, suas emoções fluírem, suas cicatrizes brilharem. Então deixa eu perguntar com toda a intensidade que isso merece: você está pronta para a sua Noite Escura? Ou vai continuar fingindo que está tudo bem enquanto seu corpo grita para ser ouvido?


Porque a mulher mais poderosa não é aquela que nunca foi quebrada. É aquela que teve coragem de juntar os pedaços e construir algo ainda mais belo com eles. E essa mulher? Ela está dentro de você. Esperando apenas para ser despertada.